narrou o radialista, mas o atleticano que assistia não viu ou ouviu a conclusão da jogada. Não ouviu, também, o grito alucinado da torcida. Tampouco pôde perceber que tremia de alegria o Gigante da Pampulha. Porque naquela hora deixou de existir a visão, deixou de existir a audição, deixou de existir o tato e até o Mineirão deixou de existir, só existindo o gol do Atlético.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

impressões acerca da derrota por 3x2 do Atlético perante o Flamengo na final do Brasileiro de 1980

assisti a uma gravação do jogo, apenas desse jogo, quase 38 anos depois do ocorrido, e aqui discorro sobre o tal:

Atlético
- Éder jogou muito mal, errou muitos passes e perdeu três gols quase feitos. parecia afobado, como o Éder Luiz é às vezes.
- Jorge Valença, o lateral-esquerdo, é péssimo, até Leandro Smith joga melhor que esse sujeito. Deus me livre. não sabe conduzir a bola, não sabe passar, não sabe chutar e sequer tentou cruzar (por sorte).
- Osmar, zagueiro, apesar de ter mostrado segurança durante todo o jogo, deu o primeiro gol pro Flamengo ao sair conduzindo a bola toscamente da defesa e perder no meio-campo depois de adiantar demais (jogada Márcio Araújo). a zaga ficou vazia e Zico lançou instantaneamente para Nunes marcar.
- a contusão de Luisinho prejudicou bastante o sistema defensivo do Atlético, tendo o terceiro gol do flamengo saído pelo lado da defesa em que Luisinho estaria, e numa bela jogada de Nunes, que enganou o (que me parece) bastante inexperiente lateral-direito Silvestre (que havia entrado no segundo tempo, substituindo Orlando).

Flamengo
- Paulo Cesar Carpegianni é ruim demais. falhou no primeiro gol do Galo e tocou duas bolas para Éder que quase resultaram em gols atleticanos, não fosse a incompetência de Éder na finalização.

Procópio
- nosso técnico parecia incorporar o espírito atleticano de paixão e vibração, sem essa de frieza e calma, quando o jogo era 2x1 pro Flamengo, foi entrevistado e respondeu ao repórter, tenso: "quem tem Deus no coração tem tudo".

Juiz
- não me pareceu ladrão ou qualquer coisa assim. até vinha apitando bem, apesar de ter amarelado todo o time do Galo. quem pareceu ladrão foi o bandeira, que deu impedimento contra o Atlético num lance em que não houve, clara e decididamente, e que daria a virada por 3x2 ao Galo, acabando com o jogo.
- logo após o lance do impedimento, Reinaldo, ao que tudo indica, deve ter ofendido o juiz (o que ele deveria compreender e relevar, dado o clima do jogo), mas deve ter ofendido o juiz muito feio, porque foi expulso direto (até aí, tudo bem, já que o Atlético nem conseguia fazer a bola chegar a Reinaldo mesmo, e ele já estava sentindo a perna). o problema é que o juiz se descontrolou e expulsou, depois de uma invasão maciça do campo, o técnico Procópio, a comissão técnica e todo o banco de reservas do Galo. nessa medida, foi completamente injusto, já que, apesar do atlético não poder mais realizar substituições e tecnicamente isso não fazer diferença, desestabilizou, provavelmente, todo o time em campo, que olhava para o banco e não via mais técnico, auxiliar técnico ou colegas no banco incentivando. depois disso, só deu Flamengo, e o Galo se defendendo desorganizadamente, até o fatídico terceiro gol.

Acréscimos
- depois dos 45 do segundo tempo, quando todos já comemoravam o título do Flamengo, o árbitro expulsou Chicão e Palhinha, deixando o Atlético com 8 jogadores em campo. e, logo em seguida, Pedrinho adentrou sozinho e driblando na área flamenguista (que tinha três defensores) e por pouco, por muito pouco, não faz um golaço que, sem querer viajar em hipóteses não concretizadas, mas já viajando, transformaria o confuso jogo da final do Campeonato Brasileiro de 1980 no título mais heróico da história do futebol mundial, e com toda justiça do mundo.

Um comentário:

cromo disse...

como cv achou o dividida xiguelense?

arquivo do blogue